Grampo e propina: esquema da Telecom Italia teria destinado US$ 2 mi para corrupção no Brasil. Marco Tronchetti Provera, da Telecom Italia e Pirelli, corre o risco de ser preso por espionagem que atingiu o Brasil.
Nas ruas, nos táxis e nos cafés de Milão, cidade mais próspera da Itália, o Brasil é a bola da vez.
Uma das razões é a volta do atacante Ronaldo, prestes a trocar as cores do Real Madrid pelas do Milan. Mas há um outro motivo, bem mais explosivo. Trata-se da investigação que já prendeu mais de 20 pessoas ligadas à Telecom Italia, dona da empresa de celulares TIM, a segunda maior no mercado brasileiro.
O processo está bem guardado no terceiro andar do Palazzo de Giustizia, localizado à Via Freguglia número 1, onde despacha o procurador Fabio Napoleone. E as suas investigações, a cada dia, apontam para o peito de Marco Tronchetti Provera, controlador da Pirelli, da Telecom Italia e um dos homens mais ricos e poderosos do país.
O que se discute agora é se foi ele, Tronchetti, quem ordenou a montagem de uma extensa rede de espionagem e de corrupção, que atuou em vários países – em especial no Brasil. Na quinta-feira 25, o jornal La Repubblica, um dos mais fortes da Itália, noticiou que os dossiês feitos pelos espiões dessa quadrilha eram encomendados pelo “vértice” da operadora telefônica, ou seja, por Tronchetti. E o que se especulava, nos meios jurídicos e empresariais italianos, é que o próprio capo da Pirelli e da Telecom Italia poderia ser preso a qualquer momento.
O estopim seria a invasão dos computadores do jornal Corriere dela Sera e do seu vice-diretor Massimo Mucchetti, por suposta ordem de Tronchetti – o que ele nega ter feito. Numa carta aberta à sociedade italiana, o empresário pediu que parassem de “atirar lama” na Telecom Italia e se disse confiante na Justiça.
Do que se apurou até agora, muito há sobre o Brasil. As informações mais importantes foram prestadas pelo espião Marco Bernardini, que fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria de Milão e, com isso, escapou da prisão – ao menos por ora. Bernardini revelou que o grupo de espionagem da Telecom Italia, batizado de “tiger team”, foi fundado por Giuliano Tavaroli, um ex-diretor da empresa que está preso desde setembro, e pelo investigador Giampaolo Spinelli, que vive nos Estados Unidos.
No Brasil, esse grupo contou com a participação de Marco Bonera, que foi sucedido pelo ex-tenente italiano Angelo Jannone. Cabia a Bernardini fazer os pagamentos escusos ordenados por essa gente – e o dinheiro jamais poderia sair diretamente dos cofres da Telecom Italia. Foi por isso que Bernardini criou nos Estados Unidos uma empresa chamada Business Security Agency, com conta no Barclay’s Bank. Os recursos italianos, antes de caírem em mãos brasileiras, passavam por lá.
O período em que o “tiger team” italiano atuou de forma mais intensa no Brasil foi durante os anos de 2004 e 2005. Naquele momento, a Telecom Italia disputava o controle da operadora telefônica Brasil Telecom com o grupo Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. E o que disse Bernardini a esse respeito até agora? Que de sua empresa saíram recursos destinados ao pagamento ilegal de políticos, lobistas e jornalistas brasileiros – cerca de US$ 2 milhões ao todo.
Uma primeira parte do dinheiro teria sido direcionada ao lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, para pagamento de políticos. Uma segunda ao advogado Marcelo Elias, que é sócio de Luís Roberto Demarco, um ex-funcionário do Opportunity que movimentou várias peças na longa guerra pela Brasil Telecom. Outra fração teria sido destinada, segundo Bernardini, a alguns policiais – em 2004, no calor dessa disputa, a Polícia Federal deflagrou a Operação Chacal contra o grupo Opportunity.
Nem todos os pagamentos ilegais, porém, saíram da Business Security Agency. No Brasil, a Telecom Italia teria feito diretamente um contrato de R$ 90 mil mensais com um consultor fluminense, cuja finalidade seria pagar jornalistas.
Naturalmente, o empresário Tronchetti Provera tem afirmado que não sabia de nada. E diz que a atuação dessa rede de espionagem, que chegou a gastar mais de 30 milhões de euros em operações secretas batizadas como “macumba”, “vaca louca” e “radiomaria”, ocorria sem o seu aval.
O curioso é que o responsável pelo ataque cibernético ao Corriere dela Sera, Fabio Ghioni, era diretor de auditora da Telecom Italia até ser preso, dias atrás. E, segundo o delator Bernardini, foi também Ghioni quem preparou o dossiê do “caso Kroll”, que serviu de base para a Operação Chacal da Polícia Federal, com dados falsos e manipulados pelo próprio Ghioni.
A favor da possível inocência de Tronchetti há alguns argumentos. O primeiro é o de que ele e sua esposa, Afef, também foram investigados – o que é verdade. O segundo é o de que essa estrutura foi, em parte, herdada – Tronchetti assumiu a Telecom Italia apenas em 2002, cinco anos depois da privatização. Além disso, na Itália, assim como no Brasil, nem tudo é o que parece ser.
A Telecom Italia é a maior empresa italiana e, em função disso, é também muito cobiçada. Fontes próximas à operadora especulam algumas hipóteses. E todas apontam para uma possível armação, de modo a obrigar Tronchetti a vender a sua jóia da coroa. Possíveis adversários, como Marco de Benedetti, do fundo Carlyle, e Paolo Dalpino, da operadora de celulares Wind, poderiam estar por trás de tudo. Seja ele culpado ou não, o fato é que tudo parte de fatos reais. E isso pode esclarecer como agiu o “tiger team” no Brasil em 2004 e 2005.
Fonte: Leonardo Attuch, da IstoÉ
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terça-feira, 20 de março de 2007
Marco Tronchetti Provera, da Telecom Italia, corre o risco de ser preso por espionagem que atingiu o Brasil
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As fraudes do novo senador, Cícero Lucena
Escutas, depoimentos e documentos levam PF a apontar o tucano Cícero Lucena como chefe de uma quadrilha que roubou R$ 20,4 milhões da Prefeitura de João Pessoa. Detalhe: em fevereiro, ele toma posse no Senado.
A Roma antiga inspirou a composição do Senado nos países do mundo ocidental. Em qualquer nação, é uma assembléia de nobres. No Brasil, o Senado acolhe ex-presidentes da República, ex-governadores. E ex-prefeitos. Um deles, de nome romano, desembarca em Brasília nos próximos dias para a posse no novo Senado: é Cícero de Lucena Filho (PSDB), ex-prefeito de João Pessoa (PB). Mas, ao contrário do filósofo que inspirou seu nome, Cícero assumirá tendo de dar explicações à Justiça e ao povo que o elegeu.
Uma investigação da Polícia Federal concluiu que Cícero é o mentor de uma quadrilha especializada em fraudar a prefeitura. Ele comandou desvios, de acordo com as perícias do Instituto Nacional de Criminalística da PF, de pelo menos R$ 20,4 milhões. A composição da quadrilha está comprovada em depoimentos de ex-secretários de Cícero, documentos apreendidos nas residências de políticos, quebra de sigilo e escutas com autorização judicial. Escutas até de Cícero.
Os documentos que comprovam o envolvimento do ex-prefeito com a quadrilha estão sob segredo de Justiça. A PF produziu o relatório em fevereiro, depois de cruzar documentos apreendidos na Operação Confraria, de 2005, que levou Cícero para a cadeia por um dia. A PF identificou “pagamento de propina a Cícero Lucena”, fraudes em licitações, sobreposição de recursos federais para a mesma obra e doações para fins políticos.
A Receita Federal detectou irregularidades entre a declaração de Imposto de Renda dos familiares de Cícero e as movimentações financeiras. Diversos bens utilizados por eles são frutos de “doações” de outros políticos, como um Audi A3 utilizado pela filha de Cícero. Os sócios das empresas em que participam os descendentes de Cícero são prováveis “laranjas”.
A fraude se dava nas licitações. Os secretários de infra-estrutura de Cícero faziam termos adulterados de cessão de licitações do início da década de 90, que eram utilizadas nas contratações da prefeitura na gestão Lucena, em 2000. Na lista de ex-secretários que participaram da fraude estão Potengi Holanda, Rúbria Beniz e Evandro de Almeida. Pelo menos R$ 58 milhões foram aplicados irregularmente.
Na construção de uma rede de galerias e canais de drenagem, os serviços não realizados somam uma fraude de R$ 2,8 milhões. Numa obra de esgotamento sanitário, a PF detectou superfaturamento de R$ 3,6 milhões. Na obra de urbanização e infra-estrutura no Vale do Jaguaribe, a PF identificou superfaturamento de R$ 3 milhões. Tudo dinheiro do governo federal.
Os engenheiros da prefeitura atestavam medições falsas para possibilitar as fraudes. Em uma das escutas, Rúbria destaca um dos tipos de fraudes paravalidar as medições: “É fazer um relatoriozinho de 25 páginas... Nem que a montagem a gente faça”, diz ela. Para a PF, Cícero é o mentor intelectual das fraudes.
Em uma das escutas, o próprio Cícero traça estratégia para intimidar engenheiros. “Nós vamos fazer uma cartorária, deixa eu lhe dizer por quê. Porque aí os engenheiros vão começar a ter medo de tá emitindo opinião, você tá me entendendo?”, diz Cícero. “Tá certo. Intimidação. Tudo bem”, responde um dos advogados do ex-prefeito. Evandro e Rúbria concordam em adotar uma matemática mentirosa para ludibriar o poder público ao descobrirem que adotaram preços superiores aos praticados pelo DER, que cobrava R$ 6,94 do “item meio-fio granito”, enquanto a prefeitura pagava R$ 14,24. “O preço do DER deu menor”, diz Evandro. “Tem que fazer uma composição mentirosa.”
Evandro confessou na PF sua participação no esquema e acusou Cícero Lucena de ser o chefe. “Havia na secretaria a prática de firmar cessões de direitos e obrigações contratuais, aproveitando antigas concorrências”, confirma Evandro. “Era informado verbalmente a qual empresa seria cedido o contrato, sendo tal informação prestada pessoalmente pelo prefeito Cícero Lucena.”
O ex-secretário Potengi também confirmou as fraudes. “A informação de qual empresa deveria ser beneficiada lhe era trazida por Everaldo Sarmento ou por Cícero Lucena”, diz Potengi no depoimento. “O ex-prefeito Cícero Lucena teve conhecimento dessa anuência.” Em duas conversas gravadas pela PF, o próprio Cícero está convicto de que vai ser preso: “Rúbria, vamos nos encontrar, antes de a gente se encontrar na cadeia, Rúbria”, diz Cícero.
Para o Ministério Público na Paraíba, havia uma “máfia” na prefeitura. Em outubro, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens de Cícero, para ressarcir danos ao erário. Só pela construção de um viaduto, Cícero e seus secretários terão de devolver R$ 1,6 milhão. Com a posse no Senado, o processo contra Cícero deve ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
O destino do Cícero está nas mãos da Procuradoria Geral da República, que terá a chance de expulsar do poder público um homem que, para a polícia, diante dos fatos, é um corrupto rematado.
Fonte: Hugo Marques, da IstoÉ
A Roma antiga inspirou a composição do Senado nos países do mundo ocidental. Em qualquer nação, é uma assembléia de nobres. No Brasil, o Senado acolhe ex-presidentes da República, ex-governadores. E ex-prefeitos. Um deles, de nome romano, desembarca em Brasília nos próximos dias para a posse no novo Senado: é Cícero de Lucena Filho (PSDB), ex-prefeito de João Pessoa (PB). Mas, ao contrário do filósofo que inspirou seu nome, Cícero assumirá tendo de dar explicações à Justiça e ao povo que o elegeu.
Uma investigação da Polícia Federal concluiu que Cícero é o mentor de uma quadrilha especializada em fraudar a prefeitura. Ele comandou desvios, de acordo com as perícias do Instituto Nacional de Criminalística da PF, de pelo menos R$ 20,4 milhões. A composição da quadrilha está comprovada em depoimentos de ex-secretários de Cícero, documentos apreendidos nas residências de políticos, quebra de sigilo e escutas com autorização judicial. Escutas até de Cícero.
Os documentos que comprovam o envolvimento do ex-prefeito com a quadrilha estão sob segredo de Justiça. A PF produziu o relatório em fevereiro, depois de cruzar documentos apreendidos na Operação Confraria, de 2005, que levou Cícero para a cadeia por um dia. A PF identificou “pagamento de propina a Cícero Lucena”, fraudes em licitações, sobreposição de recursos federais para a mesma obra e doações para fins políticos.
A Receita Federal detectou irregularidades entre a declaração de Imposto de Renda dos familiares de Cícero e as movimentações financeiras. Diversos bens utilizados por eles são frutos de “doações” de outros políticos, como um Audi A3 utilizado pela filha de Cícero. Os sócios das empresas em que participam os descendentes de Cícero são prováveis “laranjas”.
A fraude se dava nas licitações. Os secretários de infra-estrutura de Cícero faziam termos adulterados de cessão de licitações do início da década de 90, que eram utilizadas nas contratações da prefeitura na gestão Lucena, em 2000. Na lista de ex-secretários que participaram da fraude estão Potengi Holanda, Rúbria Beniz e Evandro de Almeida. Pelo menos R$ 58 milhões foram aplicados irregularmente.
Na construção de uma rede de galerias e canais de drenagem, os serviços não realizados somam uma fraude de R$ 2,8 milhões. Numa obra de esgotamento sanitário, a PF detectou superfaturamento de R$ 3,6 milhões. Na obra de urbanização e infra-estrutura no Vale do Jaguaribe, a PF identificou superfaturamento de R$ 3 milhões. Tudo dinheiro do governo federal.
Os engenheiros da prefeitura atestavam medições falsas para possibilitar as fraudes. Em uma das escutas, Rúbria destaca um dos tipos de fraudes paravalidar as medições: “É fazer um relatoriozinho de 25 páginas... Nem que a montagem a gente faça”, diz ela. Para a PF, Cícero é o mentor intelectual das fraudes.
Em uma das escutas, o próprio Cícero traça estratégia para intimidar engenheiros. “Nós vamos fazer uma cartorária, deixa eu lhe dizer por quê. Porque aí os engenheiros vão começar a ter medo de tá emitindo opinião, você tá me entendendo?”, diz Cícero. “Tá certo. Intimidação. Tudo bem”, responde um dos advogados do ex-prefeito. Evandro e Rúbria concordam em adotar uma matemática mentirosa para ludibriar o poder público ao descobrirem que adotaram preços superiores aos praticados pelo DER, que cobrava R$ 6,94 do “item meio-fio granito”, enquanto a prefeitura pagava R$ 14,24. “O preço do DER deu menor”, diz Evandro. “Tem que fazer uma composição mentirosa.”
Evandro confessou na PF sua participação no esquema e acusou Cícero Lucena de ser o chefe. “Havia na secretaria a prática de firmar cessões de direitos e obrigações contratuais, aproveitando antigas concorrências”, confirma Evandro. “Era informado verbalmente a qual empresa seria cedido o contrato, sendo tal informação prestada pessoalmente pelo prefeito Cícero Lucena.”
O ex-secretário Potengi também confirmou as fraudes. “A informação de qual empresa deveria ser beneficiada lhe era trazida por Everaldo Sarmento ou por Cícero Lucena”, diz Potengi no depoimento. “O ex-prefeito Cícero Lucena teve conhecimento dessa anuência.” Em duas conversas gravadas pela PF, o próprio Cícero está convicto de que vai ser preso: “Rúbria, vamos nos encontrar, antes de a gente se encontrar na cadeia, Rúbria”, diz Cícero.
Para o Ministério Público na Paraíba, havia uma “máfia” na prefeitura. Em outubro, a Justiça decretou a indisponibilidade dos bens de Cícero, para ressarcir danos ao erário. Só pela construção de um viaduto, Cícero e seus secretários terão de devolver R$ 1,6 milhão. Com a posse no Senado, o processo contra Cícero deve ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
O destino do Cícero está nas mãos da Procuradoria Geral da República, que terá a chance de expulsar do poder público um homem que, para a polícia, diante dos fatos, é um corrupto rematado.
Fonte: Hugo Marques, da IstoÉ
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segunda-feira, 19 de março de 2007
Operação "Fanta", um ano se passou e nada foi feito
No dia 24 de janeiro de 2006, 70 pessoas, entre técnicos da Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça e agentes da Polícia Federal, realizaram uma ambiciosa operação de busca e apreensão de documentos e arquivos eletrônicos nas sedes paulistas das indústrias de suco de laranja Montecitrus, Coinbra (hoje divisão Citrus da Louis Dreyfus Commodities Brasil), Cutrale e Citrovita e no escritório da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), então localizado em Ribeirão Preto (SP).
Segundo seus protagonistas, a blitz, batizada de "Operação Fanta", cumpriu o objetivo e levantou provas que, associadas ao depoimento de um ex-executivo de uma das empresas - que concordou em falar por meio de um acordo de leniência - seriam capazes de condená-las (Citrosuco inclusive) por formação de cartel em um processo investigativo aberto em 1999 a pedido de produtores de laranja. Nesse cenário, calculava-se que as indústrias seriam multadas em até R$ 2 bilhões.
Um ano depois, a Justiça não sabe quando decidirá se os documentos colhidos na maior ação de busca e apreensão da história da defesa da concorrência no Brasil serão reencaminhados às autoridades antitruste ou se seguirão lacrados graças a uma liminar obtida pelas empresas. O Ministério da Justiça não sabe quando terá de volta os computadores, disquetes, CPUs e os mais de 30 sacos de lixo de 100 litros com papéis.
Para contornar a lentidão do Judiciário, a SDE propôs um acordo com as indústrias de suco: elas pagariam R$ 100 milhões ao governo, que encerraria a investigação de cartel. Mas o Cade não assinou o acordo por motivos formais. Os conselheiros concluíram que a legislação proíbe a assinatura de acordos com cartéis que atuaram após 2000. E o suposto cartel da laranja teria atuado no mercado antes e depois deste limite.
O caso da laranja também criou uma discussão no governo por causa das vendas de suco aos EUA. Temia-se que as investigações pudessem ser usadas por Washington para processar o Brasil, pois aquele país teria adquirido suco de um cartel. Mas o Ministério da Justiça formulou a tese de que o caso da laranja não é um "cartel de exportação", mas um "cartel de compras". Um "cartel de exportação" leva a dumping, e nessa hipótese o Brasil poderia sofrer restrições na OMC. Com o "cartel de compras", o governo federal descartou o dumping nas exportações.
E o caso segue aberto. Hoje a Abecitrus representa só a Cutrale, as indústrias diversificaram investimentos e duas entidades (Associtrus e Faesp) disputam a representação dos produtores paulistas de laranja. Indústrias e citricultores ainda têm dificuldades para se entender sobre preços de fornecimento da fruta para a produção da bebida, entre outros motivos pelo temor de que a SDE veja nessas negociações indícios de cartelização, e o suco segue em alta no mercado externo. E, para indústrias e produtores, é preciso reconstruir a cadeia produtiva.
Fonte: Juliano Basile e Fernando Lopes, do Valor Econômico
Segundo seus protagonistas, a blitz, batizada de "Operação Fanta", cumpriu o objetivo e levantou provas que, associadas ao depoimento de um ex-executivo de uma das empresas - que concordou em falar por meio de um acordo de leniência - seriam capazes de condená-las (Citrosuco inclusive) por formação de cartel em um processo investigativo aberto em 1999 a pedido de produtores de laranja. Nesse cenário, calculava-se que as indústrias seriam multadas em até R$ 2 bilhões.
Um ano depois, a Justiça não sabe quando decidirá se os documentos colhidos na maior ação de busca e apreensão da história da defesa da concorrência no Brasil serão reencaminhados às autoridades antitruste ou se seguirão lacrados graças a uma liminar obtida pelas empresas. O Ministério da Justiça não sabe quando terá de volta os computadores, disquetes, CPUs e os mais de 30 sacos de lixo de 100 litros com papéis.
Para contornar a lentidão do Judiciário, a SDE propôs um acordo com as indústrias de suco: elas pagariam R$ 100 milhões ao governo, que encerraria a investigação de cartel. Mas o Cade não assinou o acordo por motivos formais. Os conselheiros concluíram que a legislação proíbe a assinatura de acordos com cartéis que atuaram após 2000. E o suposto cartel da laranja teria atuado no mercado antes e depois deste limite.
O caso da laranja também criou uma discussão no governo por causa das vendas de suco aos EUA. Temia-se que as investigações pudessem ser usadas por Washington para processar o Brasil, pois aquele país teria adquirido suco de um cartel. Mas o Ministério da Justiça formulou a tese de que o caso da laranja não é um "cartel de exportação", mas um "cartel de compras". Um "cartel de exportação" leva a dumping, e nessa hipótese o Brasil poderia sofrer restrições na OMC. Com o "cartel de compras", o governo federal descartou o dumping nas exportações.
E o caso segue aberto. Hoje a Abecitrus representa só a Cutrale, as indústrias diversificaram investimentos e duas entidades (Associtrus e Faesp) disputam a representação dos produtores paulistas de laranja. Indústrias e citricultores ainda têm dificuldades para se entender sobre preços de fornecimento da fruta para a produção da bebida, entre outros motivos pelo temor de que a SDE veja nessas negociações indícios de cartelização, e o suco segue em alta no mercado externo. E, para indústrias e produtores, é preciso reconstruir a cadeia produtiva.
Fonte: Juliano Basile e Fernando Lopes, do Valor Econômico
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Policia Federal prende 16 suspeitos de invadir contas bancarias
A Polícia Federal desencadeou na manhã desta terça-feira a operação Valáquia, nas cidades de Teresina e Campo Maior, no Piauí, e Codó, no Maranhão, para prender uma quadrilha
especializada em invadir contas bancárias por meio da Internet. Dezesseis pessoas foram presas, de acordo com a Globonews. Cerca de 150 policiais do Piauí, Maranhão e Ceará cumprem 27 mandados de busca e apreensão e outros de prisão expedidos pelo juiz da 2ª Vara Federal do estado do Piauí.
As investigações iniciaram há seis meses a partir de denúncias de pessoas que constataram saques fraudulentos em suas contas mantidas em estabelecimentos bancários, em especial na Caixa Econômica Federal. Foram constatadas três formas de atuação da quadrilha:
transferências de valores que são posteriormente sacados das contas alugadas; aquisição de produtos e serviços comercializados pela Internet; e pagamento de boletos bancários de diversas naturezas (tributos, serviços e produtos). Em todos os casos os débitos acontecem sempre em contas das vítimas que tiveram suas senhas capturadas pela Internet por meio do programa conhecido como "cavalo de tróia" ou por programas de monitoramento de teclados, os keyllogers.
Utilizando-se desses programas, os estelionatários descobrem os dados bancários invadindo o computador da vítima, geralmente por meio de endereços eletrônicos. O programa se encarrega de mandar as informações para um servidor ou e-mail dos criminosos.
Outra forma utilizada pelos estelionatários é o envio de mensagens por meio de sites de relacionamento, como Orkut e MSN, contendo arquivos espiões.
Um dos golpes mais comuns consiste no envio de mensagem alertando sobre possíveis invasões de contas, registro como inadimplentes no Serasa ou irregularidades na Receita Federal. Nessas mensagens são pedidos para que os usuários digitem seus dados bancários, inclusive senha.
Outra forma comum de ação é a criação das chamadas páginas clone das instituições bancárias, para onde os usuários são direcionados quando tentam acessar a página do seu banco.
Os saques normalmente ocorrem após a transferência indevida dos valores para contas de "laranjas" que emprestam seus cartões e senhas mediante pagamento de compensação que varia de R$ 100,00 a R$ 500,00.
Somente nos últimos dois anos a Polícia Federal deflagrou mais de dez operações de repressão a esse tipo de crime, resultando em mais de 520 prisões. Entre elas as operações Clone, Replicante, Scan, entre outras. Os presos serão encaminhados para o complexo penitenciário de Teresina, onde permanecerão à disposição da Justiça.
O nome da operação é uma alusão à região que teria sido governada pelo Príncipe Vlad Tepes, o personagem histórico que deu origem ao mito do Conde Drácula - uma vez que os investigados agem como vampiros sugando recursos das contas das vítimas.
especializada em invadir contas bancárias por meio da Internet. Dezesseis pessoas foram presas, de acordo com a Globonews. Cerca de 150 policiais do Piauí, Maranhão e Ceará cumprem 27 mandados de busca e apreensão e outros de prisão expedidos pelo juiz da 2ª Vara Federal do estado do Piauí.
As investigações iniciaram há seis meses a partir de denúncias de pessoas que constataram saques fraudulentos em suas contas mantidas em estabelecimentos bancários, em especial na Caixa Econômica Federal. Foram constatadas três formas de atuação da quadrilha:
transferências de valores que são posteriormente sacados das contas alugadas; aquisição de produtos e serviços comercializados pela Internet; e pagamento de boletos bancários de diversas naturezas (tributos, serviços e produtos). Em todos os casos os débitos acontecem sempre em contas das vítimas que tiveram suas senhas capturadas pela Internet por meio do programa conhecido como "cavalo de tróia" ou por programas de monitoramento de teclados, os keyllogers.
Utilizando-se desses programas, os estelionatários descobrem os dados bancários invadindo o computador da vítima, geralmente por meio de endereços eletrônicos. O programa se encarrega de mandar as informações para um servidor ou e-mail dos criminosos.
Outra forma utilizada pelos estelionatários é o envio de mensagens por meio de sites de relacionamento, como Orkut e MSN, contendo arquivos espiões.
Um dos golpes mais comuns consiste no envio de mensagem alertando sobre possíveis invasões de contas, registro como inadimplentes no Serasa ou irregularidades na Receita Federal. Nessas mensagens são pedidos para que os usuários digitem seus dados bancários, inclusive senha.
Outra forma comum de ação é a criação das chamadas páginas clone das instituições bancárias, para onde os usuários são direcionados quando tentam acessar a página do seu banco.
Os saques normalmente ocorrem após a transferência indevida dos valores para contas de "laranjas" que emprestam seus cartões e senhas mediante pagamento de compensação que varia de R$ 100,00 a R$ 500,00.
Somente nos últimos dois anos a Polícia Federal deflagrou mais de dez operações de repressão a esse tipo de crime, resultando em mais de 520 prisões. Entre elas as operações Clone, Replicante, Scan, entre outras. Os presos serão encaminhados para o complexo penitenciário de Teresina, onde permanecerão à disposição da Justiça.
O nome da operação é uma alusão à região que teria sido governada pelo Príncipe Vlad Tepes, o personagem histórico que deu origem ao mito do Conde Drácula - uma vez que os investigados agem como vampiros sugando recursos das contas das vítimas.
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