sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Tempos modernos

Não mate seu Leão, aprenda a amá-lo

Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

Outro dia fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso.
 
Depois de uma almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios.
 
Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele:
"Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia".
 
Sua resposta, rápida e afiada, foi: 
"Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele".
 
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:
"Deixe-me contar-lhe uma história que quero compartilhar com você".
 
Segue mais ou menos o que consegui lembrar da conversa:
"Existe um ditado popular antigo dizendo que temos de 'matar um leão por dia'.
 
E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão.
 
A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase.
 
Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão.
 
Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?
 
Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma.
 
Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado!
 
A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente.
 
Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar o Paulo, que hoje é nosso diretor geral.
 
Este 'fracasso' me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão?
 
Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: 'a culpa foi do leão'."
 
Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
 
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:
"É, pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma.
 
Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos.
 
Mas, ao dar tudo a eles, esqueci de dar um leão para cada, que era o mais importante.
 
Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios.
 
A capacidade de luta que há em você, precisa de adversidades para revelar-se.
 
Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos.
 
Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.
 
Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele.
 
A metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso.
 
Porque o dia em que o leão, em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele..."
 
Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer e ser mais forte nesta 'selva' em que vivemos.

O hábito de reclamar de tudo é uma doença contagiosa

Pare de carregar a mala dos outros

Você acredita que carrega malas alheias?
 
Vamos fazer um exercício?

Como você reage quando seu filho não quer fazer a lição? Ou quando alguém não consegue arrumar a própria mala para a viagem de férias, perde a hora do trabalho com frequência, gasta mais do que ganha… e muitas coisinhas mais que vão fazendo você correr em desvario para tapar buracos que não criou e evitar problemas que não afetam sua vida diretamente?

Não afetam a sua vida, mas afetam a vida de pessoas queridas, então, você sai correndo e pega todas as malas que estão jogadas pelo caminho e as coloca no lombo (lombo aqui cai muito bem, fala a verdade) e a sua mala, que é a única que você tem a obrigação de carregar, fica lá, num canto qualquer da estação.

Repetindo, a sua mala, que é a única que você tem obrigação de carregar, fica lá jogada na estação!

Temos uma jornada e um propósito aqui neste planeta e quando perdemos o foco, passamos a executar os propósitos alheios.

A estrada é longa e o caminho muitas vezes nos esgota, pois o peso da carga que nós nos atribuímos não é proporcional à nossa capacidade, à nossa resistência e o esgotamento aparece de repente.

Esse é o primeiro toque que a vida nos dá, pois, quando o investimento não é proporcional ao retorno, ou seja, quando damos muito mais do que recebemos na vida, nos relacionamentos humanos ou profissionais, é porque certamente estamos carregando pesos desnecessários e inúteis.

Quando olhamos para um novo dia como se ele fosse mais um objetivo a cumprir, chegou a hora de parar para rever o que estamos fazendo com o nosso precioso tempo. O peso e o cansaço nos tornam insensíveis à beleza da vida e acabamos racionalizando o que deveria ser sacralizado.

É o peso da mala que nos deixa assim empedernido.

Quanto ela pesa?

Quanto sofrimento carregamos inutilmente, mágoa, preocupação, controle, ansiedade, excesso de zelo, tudo o que exaure a nossa energia vital.

E o medo, o que ele faz com a gente e quanta coisa ele cria que muitas vezes só existe dentro da nossa cabeça?

Sabe que às vezes temos tanto medo de olhar para a própria vida que preferimos tomar conta da vida dos filhos, do marido, do pai, da mãe… e a nossa mala fica na estação…

O momento é esse, vamos identificar essa bagagem: ela é sua? Ótimo, então é hora de começar uma grande limpeza para jogar fora o lixo que não interessa e caminhar mais leve.

Agora, se o excesso de peso que você carrega vem de cargas alheias, chegou a hora de corajosamente devolvê-las aos interessados .

Não se intimide, tampouco fique com a consciência pesada por achar que a pessoa vai sucumbir ao fardo excessivo. Ao contrário, nesse momento você estará dando a ela a oportunidade de aprender a carregar a própria mala.

A vida assim compartilhada fica muito mais suave, pois os relacionamentos com bases mais justas e equânimes acabam se tornando mais amorosos, sem cobranças e a liberdade abre um grande espaço para a cumplicidade e o afeto.

Onde está a sua mala?

Autor: Marlene Damico Lamarco

Mãe flagra filha dançando funk