Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições. Como desconstruir o inimigo? Negando o que de bom foi feito e apossando-se de tudo que dele herdaram como se deles sempre tivesse sido. Onde está a política mais consciente e benéfica para todos? No ralo.
Na campanha haverá um mote – o governo do PSDB foi “neoliberal” – e dois alvos principais: a privatização das estatais e a suposta inação na área social. Os dados dizem outra coisa. Mas os dados, ora os dados... O que conta é repetir a versão conveniente. Há três semanas Lula disse que recebeu um governo estagnado, sem plano de desenvolvimento. Esqueceu-se da estabilidade da moeda, da lei de responsabilidade fiscal, da recuperação do BNDES, da modernização da Petrobras, que triplicou a produção depois do fim do monopólio e, premida pela competição e beneficiada pela flexibilidade, chegou à descoberta do pré-sal. Esqueceu-se do fortalecimento do Banco do Brasil, capitalizado com mais de R$ 6 bilhões e, junto com a Caixa Econômica, libertados da politicagem e recuperados para a execução de políticas de Estado. Esqueceu-se dos investimentos do programa Avança Brasil, que, com menos alarde e mais eficiência que o PAC, permitiu concluir um número maior de obras essenciais ao país. Esqueceu-se dos ganhos que a privatização do sistema Telebrás trouxe para o povo brasileiro, com a democratização do acesso à internet e aos celulares, do fato de que a Vale privatizada paga mais impostos ao governo do que este jamais recebeu em dividendos quando a empresa era estatal, de que a Embraer, hoje orgulho nacional, só pôde dar o salto que deu depois de privatizada, de que essas empresas continuam em mãos brasileiras, gerando empregos e desenvolvimento no país.
Esqueceu-se de que o país pagou um custo alto por anos de “bravata” do PT e dele próprio. Esqueceu-se de sua responsabilidade e de seu partido pelo temor que tomou conta dos mercados em 2002, quando fomos obrigados a pedir socorro ao FMI – com aval de Lula, diga-se – para que houvesse um colchão de reservas no início do governo seguinte. Esqueceu-se de que foi esse temor que atiçou a inflação e levou seu governo a elevar o superávit primário e os juros às nuvens em 2003, para comprar a confiança dos mercados, mesmo que à custa de tudo que haviam pregado, ele e seu partido, nos anos anteriores.
Os exemplos são inúmeros para desmontar o espantalho petista sobre o suposto “neoliberalismo” peessedebista. Alguns vêm do próprio campo petista. Vejam o que disse o atual presidente do partido, José Eduardo Dutra, ex-presidente da Petrobras, citado por Adriano Pires, no Brasil Econômico de 13/1/2010. “Se eu voltar ao parlamento e tiver uma emenda propondo a situação anterior (monopólio), voto contra. Quando foi quebrado o monopólio, a Petrobras produzia 600 mil barris por dia e tinha 6 milhões de barris de reservas. Dez anos depois, produz 1,8 milhão por dia, tem reservas de 13 bilhões. Venceu a realidade, que muitas vezes é bem diferente da idealização que a gente faz dela”.
O outro alvo da distorção petista refere-se à insensibilidade social de quem só se preocuparia com a economia. Os fatos são diferentes: com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total. A pobreza continuou caindo, com alguma oscilação, até atingir 18% em 2007, fruto do efeito acumulado de políticas sociais e econômicas, entre elas o aumento do salário mínimo. De 1995 a 2002, houve um aumento real de 47,4%; de 2003 a 2009, de 49,5%. O rendimento médio mensal dos trabalhadores, descontada a inflação, não cresceu espetacularmente no período, salvo entre 1993 e 1997, quando saltou de R$ 800 para aproximadamente R$ 1.200. Hoje se encontra abaixo do nível alcançado nos anos iniciais do Plano Real.
Por fim, os programas de transferência direta de renda (hoje Bolsa-Família), vendidos como uma exclusividade deste governo. Na verdade, eles começaram em um município (Campinas) e no Distrito Federal, estenderam-se para Estados (Goiás) e ganharam abrangência nacional em meu governo. O Bolsa-Escola atingiu cerca de 5 milhões de famílias, às quais o governo atual juntou outras 6 milhões, já com o nome de Bolsa-Família, englobando em uma só bolsa os programas anteriores.
É mentira, portanto, dizer que o PSDB “não olhou para o social”. Não apenas olhou como fez e fez muito nessa área: o SUS saiu do papel à realidade; o programa da aids tornou-se referência mundial; viabilizamos os medicamentos genéricos, sem temor às multinacionais; as equipes de Saúde da Família, pouco mais de 300 em 1994, tornaram-se mais de 16 mil em 2002; o programa “Toda Criança na Escola” trouxe para o Ensino Fundamental quase 100% das crianças de sete a 14 anos. Foi também no governo do PSDB que se pôs em prática a política que assiste hoje a mais de 3 milhões de idosos e deficientes (em 1996, eram apenas 300 mil).
Eleições não se ganham com o retrovisor. O eleitor vota em quem confia e lhe abre um horizonte de esperanças. Mas se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer.
O filme foi considerado por alguns como 'antiamericano'
O navio Titanic afundou em 1912. Agora, o campeão de bilheteria de cinema que ele inspirou também se foi.
Desta vez, contudo, não foi por causa de um iceberg, mas um filme de 3D sobre extraterrestres de pele azul que defendem o seu planeta de invasores humanos.
No final da década passada, o épico de James Cameron, Titanic, tornou-se o filme de maior bilheteria já visto, com arrecadação global de US$ 1,843 bilhão.
Mas o recorde foi superado graças a Avatar, também dirigido por Cameron, e que esta semana sagrou-se o maior campeão de bilheteria de todos os tempos, com uma arrecadação mundial de US$ 1,859 bilhão.
Surpresa
É um feito surpreendente para o canadense de 55 anos, e um que dificilmente ele deve repetir na vida.
E este também é um triunfo para o estúdio cinematográfico 20th Century Fox, e a sua proprietária, NewsCorp, que financiaram este filme ousado - uma estória de ficção científica que teve boa parte feita através de imagens geradas por computador.
Avatar é um fenômeno que identificou tendências dos tempos atuais de uma maneira que poucos poderiam ter previsto.
E conseguiu isso apesar das poucas estrelas e sem elogios unânimes entre os críticos. Vários não se impressionaram com a trama e nem com o diálogo.
'Antiamericano'
O filme também foi criticado por blogueiros - alguns disseram que ele tem um sub-texto antiamericano e defende os interesses de ambientalistas.
Teve quem dissesse que o filme é racista por apresentar um herói branco que dá ajuda a uma população indígena - boa parte retratada por atores afro-americanos ou indígenas americanos.
Ninguém iria considerar Avatar uma obra de alto valor artístico, e tampouco ver Titanic como uma obra-prima moderna.
Mesmo assim, ele tem a seu favor efeitos visuais de última geração que transportam o espectador para um mundo extraterrestre espetacularmente elaborado.
Avatar foi o primeiro filme de Cameron desde Titanic, que levou onze Oscars em 1998, e isso já iria garantir um lançamento estrondoso. Além disso, o filme chegou às telas na hora certa, acompanhado de marketing agressivo e de uma iniciativa da indústria cinematográfica para reavivar a moda de filmes em 3D.
Competição
Se Avatar tivesse sido lançado há seis meses, teria enfrentado uma competição muito maior por público e salas exibidoras.
Como veio às telas em dezembro, o filme ficou um mês sem um competidor à altura.
Os rivais da Fox podem ter evitado, deliberadamente, lançar outro produto ao mesmo tempo de Avatar, cientes da expectativa que cercaria este filme tão promovido.
Notícias não confirmadas sugerem que a Fox gastou até US$ 150 milhões para promover um filme que, segundo alguns, custou US$ 300 milhões.
Talvez o fator-chave para o sucesso de Avatar tenha sidoa forma como ele tirou proveito do formato 3D.
No ano passado, filmes como Monstros Vs Alienígenas e A Era do Gelo-3 mostraram que os filmes 3D eram comercialmente viáveis.
Avatar conseguiu capitalizar no sucesso deles e nos preços mais altos de ingressos de cinemas que apresentavam o filme em 3D.
De acordo com a empresa de análise da área de entretenimento, Nielsen EDI, as exibições do filme em "2D" representam apenas 15% da bilheteria de Avatar - o restante veio de exibições em 3D ou em telas IMAX 3D.
Estes dados são um bom prenúncio para as futuras estreias de Alice, no País das Maravilhas, de Tim Burton, Toy Story-3 e Tron: Legacy.
Eles também encorajam mais cinemas a instalarem equipamento digital necessário para a exibição de filmes em 3D.
E como fica a situação de Cameron? Agora ele fica ombro a ombro com o diretor da série O Senhor dos Anéis, Peter Jackson, e de Piratas do Caribe, Gore Verbinski. Eles tiveram dois filmes entre os 10 maiores campeões de bilheteria.
